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AMAZÔNIA NEGRA: Marcela Bonfim é bicampeã entre os mais admirados jornalistas negros do Brasil

Representando o Norte, a fotógrafa destaca a potência da negritude amazônica e a necessidade de ampliar narrativas sobre a região

Redação por Redação
05/12/2025
em Cultura, Destaques

Eleita pelo segundo ano consecutivo, Marcela Bonfim foi destaque na cerimônia dos mais admirados jornalistas negros e negras da Imprensa Brasileira 2025, realizada na noite desta terça-feira (25/11), em São Paulo. A premiação é promovida por Jornalistas&Cia, 1 Papo Reto, Neo Mondo e Rede Jornalistas Pretos.
Representando Rondônia e toda a região Norte, Marcela conquistou novamente o 1º lugar na categoria Imagem/Vídeo, com o projeto Amazônia Negra, trabalho que vem consolidando sua contribuição para a comunicação e para a afirmação da identidade negra amazônica.

Para Marcela, o reconhecimento nacional reforça a necessidade de ampliar a visibilidade sobre o Norte, principalmente Rondônia, e sobre a presença negra na Amazônia, temas estes que ela transforma em imagem, narrativa e memória. Em seu discurso, ela destacou o papel de Rondônia como território complexo, diverso e ainda pouco compreendido pelo restante do país:

“É importante estar aqui, ainda mais falando a partir de Rondônia, essa terra que para o Brasil ainda é muito medonha, porque o Brasil não conhece. Mas é um lugar que produz muito conhecimento. Ali eu entendi uma Amazônia negra, uma cultura que o Brasil ainda não conhece e que precisa acessar. O Brasil também existe pela negritude da Amazônia, por essa pedagogia visual que mostra nossa história, nossa força e nossa complexidade.”

O trabalho de Marcela Bonfim tem se afirmado não apenas como produção audiovisual, mas como um projeto político e intelectual que constrói pontes entre história, território e identidade. Ao articular imagem, pesquisa e presença feminina negra, Bonfim cria conexões que reposicionam Rondônia e a Amazônia no imaginário nacional, revelando uma geografia marcada por resistências, ancestralidades e deslocamentos que o Brasil insiste em desconhecer.

Seu trabalho marcado e reconhecido por uma perspectiva negra, sobretudo de uma mulher amazônida, que abraçou Rondônia como seu lar,  reorganiza narrativas, dá voz aos silenciamentos e amplia repertórios sobre o que é ser do Norte e o que é ser negra no Brasil. Sua fala ecoa a urgência de democratizar os espaços. “A gente está no processo de inclusão social, a mulher preta, o homem preto, acessando e fazendo comunicação. Que surjam outros comunicadores, que sejam enxergados também, e que a gente siga firme, forte e para a frente. Axé!”, pontuou.

Além de Marcela Bonfim, outros comunicadores negros também foram premiados na edição 2025. Entre eles, Aline Midlej, eleita a +Admirada do Ano, e as jornalistas Basília Rodrigues, Flávia Oliveira, Adriana Couto, Joyce Ribeiro e Aline Aguiar, que compuseram o TOP 5 na categoria Vídeo. Na categoria Áudio/Texto, o prêmio reconheceu Edilene Lopes, Ed Wanderley, Cecília Oliveira, Cíntia Gomes e Juliana Cézar Nunes. A cerimônia ainda contemplou categorias regionais, veículos jornalísticos liderados por profissionais negros e prêmios especiais como o Troféu Luiz Gama e o Troféu Glória Maria, reforçando a pluralidade e a força da comunicação negra em todo o país.

Fonte: Rondoniaovivo

 

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